Inovação, interesse político e as dificuldades de transformar projetos de tecnologia em resultados nas empresas

por | 08/03/2018

Vivemos cercados no mundo corporativo por modismos! Hoje termos como indústria 4.0, tecnologia disruptiva, inovação, big data, block-chain viraram quase jargões na linguagem corporativa.
Isto deveria refletir a nossa preocupação em projetar as organizações no FUTURO, onde a única certeza é a mudança. Ou a empresa se reinventa e sobrevive, ou ela passará a ser parte da história.

Quase sempre definimos as empresas como inovadoras ou não, porém eu particularmente prefiro acreditar que este conceito é vago, onde ao invés de empresas, deveríamos avaliar se as equipes/profissionais são ou não inovadores.

Muitas vezes encontramos lacunas na definição do que seria um profissional inovador. Não é incomum encontrar profissionais que usufruem de um “linguajar inovador” serem confundidos com profissionais inovadores.

Inovador para mim foi o Sr. Edmilson, operador I de engarrafamento, que tocava o posto de saída da lavadora de garrafas na fábrica da Brahma em Curitiba lá em meados de 1998. Ele, praticamente sozinho, bateu a meta de consumo de água da filial Curitiba naquele ano ao sugerir num grupo de CCQ a instalação de uma válvula de diafragma em “bypass” para o esguicho de enxague final.

O problema que tínhamos na época é que o diafragma furava pelos constantes “golpes” de trabalho. As vezes ficávamos com uma tubulação de água potável de mais de duas polegadas e 3 kgf/cm2 de pressão jorrando para o ralo durante até uma semana, aguardando a parada da linha para manutenção corretiva. Aí veio ele e propôs: “coloca duas, quando uma furar, coloca a outra para funcionar!” Simples assim!

Com certeza mais de uma centena de supervisores/engenheiros/técnicos, sem contar operadores, já tinham passado pelo problema, já que aqueles equipamentos datavam de 1976. Mas foi ele, que mal tinha o segundo grau completo e que era um “guerreiro” preocupado e incomodado com o desperdício que teve a ideia, buscou a solução e implantou com o seu grupo de CCQ.

Podemos observar os indivíduos que estão liderando, acompanhando ou simplesmente comunicando as tais “transformações” nas organizações que você tem acesso. Com qual clareza você consegue utilizar os seguintes “rótulos” para um profissional? O inovador:

Profeta – supostamente prediz o futuro, tem a visão, porem não faz a mínima ideia do caminho a ser percorrido para transformar uma boa ideia em algo concreto;

Entusiasta – normalmente é um estudioso, bem informado, compartilha tudo o que acha interessante e reconhece os esforços. Não ajuda, mas também não atrapalha;

Modista – demora muito para aceitar a inovação depois de concebida, só embarca nela depois que a grande maioria já adotou;

Crítico (ranzinza) – aquele que não aceita de jeito nenhum, que a toda hora afirma para os quatro cantos que aquilo não vai dar certo e se agarra no passado;

e por fim,

Empreendedor – realiza, revelando capacidade para tal, incluindo a execução, a venda e a mobilização dos recursos necessários.

 Se a maior parte do grupo não está no quadrante Empreendedor, as chances das iniciativas não passarem pelo funil de aprovação ou não entregarem os resultados prometidos são altíssimas, fazendo com que todo o investimento (financeiro e de tempo) seja desperdiçado sem o devido aprendizado.

Uma publicação feita esta semana pela McKinsey&Co revela os desafios que inovações digitais, e que pode ser estendida a outras modalidades não digitais no ambiente corporativo.

Se o direcionamento estratégico do negócio, não tem como foco à diferenciação da concorrência baseada em inovação como ferramenta de experimentação, aprendizagem e evolução, as chances de mesmas serem simplesmente modismos será muito grande!

O alinhamento da estratégia, o patrocínio, a cobrança e avaliação com disciplina do portfolio de inovação tem que “obrigatoriamente” vir da alta administração. Só assim conseguiremos alinhar o discurso com a prática.

Por exemplo – Se uma companhia tem um modelo de gestão voltada para o desempenho é comum encontrar um modelo baseado em 5 metas (faturamento, custo, nível de serviço, gente e é claro a “queridinha” – projetos estratégicos (de preferência uma inovação).

Muitas vezes queremos simplesmente copiar o que a concorrência esta fazendo. Isso demandará tempo e dinheiro, porém com uma chance mínima de se atingir o resultado esperado! A escolha dos projetos atrelada aos problemas que queremos resolver, das pessoas e a comunicação são fatores preponderantes para o sucesso! Isso é obvio, porém o “walk the talk” não é bem assim!

Agora olhe ao seu redor, olhe para você! Se auto-avalie, “rotule” como quiser quem esta a sua volta (em todos os níveis) e projete como sua organização esta se preparando para o futuro…

Ricardo Trinkel

Ricardo Trinkel

Sócio Diretor

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